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Rio Pardo em 1820 – Sob a ótica de Saint Hilaire

Descrição da vila de Rio Pardo feita por Saint Hilaire em seu livro viagem ao Rio Grande do Sul (1820/1821)

VILA DE RIO PARDO, 18 de maio. – A Vila de Rio Pardo é inteiramente nova. Todos os que aqui vieram estabelecer-se há menos de trinta anos contam-me que, na época, só se viam aí palhoças. No início se fixaram juízes regulares; depois trocados por um juiz de fora. Esta cidade, também sede de uma paróquia, está situada em terreno muito acidentado, à confluência do rio que lhe dá o nome e à do Jacuí.

A rua principal se prolonga sobre o cimo de uma colina bastante elevada, as demais se estendem nos flancos dessa e de colinas adjacentes. A maioria dessas últimas ruas se intercomunica diretamente; são, por assim dizer, grupos de casas jogadas aqui e ali, entremeadas de relvados, terrenos baldios e de cercados com plantações de laranjeiras, conjunto ao mesmo tempo variado e agradável à vista. Pequena, a praça pública. A igreja paroquial forma um dos seus lados, não está completamente pronta, o mesmo acontecendo às outras duas igrejinhas também desta cidade. A casa da Câmara, da qual a prisão faz parte, é um edifício térreo. A rua principal se encontra, parcialmente, pavimentada; a maior parte das outras ainda não. As casas de Rio Pardo são telhadas, algumas grandes e bem construídas; delas conta-se grande número de um e mesmo de dois andares, e quase todas que denunciam certa riqueza possuem sacadas de vidro. É na rua principal que se vê a maior parte das lojas e armazéns de comestíveis, uns e outros igualmente bem sortidos. Embora Rio Pardo seja uma cidade rica e comercial, nenhuma providência foi tomada até agora para facilitar o desembarque das mercadorias que aqui chegam. Não se pensou ainda em fazer declives à margem do rio, e a rua de acesso ao porto não é pavimentada, além de muito íngreme e mal conservada. As embarcações que servem ao transporte de mercadorias entre Porto Alegre e Rio Pardo são chamadas propriamente de canoas que, no Brasil, significa piroga; são pontudas, possuem um mastro, em torno de cinqüenta e cinco a setenta palmos de comprimento e até vinte de largura. Delas nunca há mais de dez ao mesmo tempo no porto de Rio Pardo, mas em geral gastam poucos dias para carregar e descarregar.

 

Pesquisa Renatta Meister em:

Saint-Hilaire, Auguste de, 1779-1853. Viagem ao Rio Grande do Sul / Auguste de Saint-Hilaire ; tradução de Adroaldo Mesquita da Costa. — Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2002. 578 p. — (Coleção O Brasil visto por estrangeiros)

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